Mais uma vez o bom senso falta aos educadores e aos
dirigentes de escolas. E se alguém pensa que isso se restringe
apenas às escolas públicas está enganado. O caso que vou relatar
está acontecendo em uma escola particular na cidade de Londrina-PR.
Recebi vários e-mails de pais de alunos de uma determinada escola
sobre certo livro (aqui no blog não vou mencionar o nome da escola
nem o do livro para evitar problemas jurídicos) falando de uma
total falta de bom senso na escolha do tal livro para crianças de
12 anos de idade (7° série). Trata-se de um programa da escola para
prevenção de DST, mas deixaram passar muito longe o bom senso ao
escolherem um livro que, além de tratar muito superficialmente o
tema, ainda é recheado de palavrões, apologia à maconha, apologia
ao álcool, descrição de atos sexuais com detalhes desnecessários
(para crianças de 12 anos). Para se ter uma idéia do que estou
falando em uma de suas passagens o livro fala que para "demonstrar
afeto a quem você ama" deve-se fazer, entre outras
coisas, "carícias e amassos", "sexo oral e masturbação
a dois" (isso para crianças de 12 anos?). Detalhes tais como "senti
que ele ia me penetrar", "fiquei com vontade de mandar ele tomar no
c*","não posso gozar dentro de você", etc. Em determinada passagem
meninas são ridicularizadas por não terem transado ainda.
Ainda em um trecho a autora faz um apelo aos pais: "Deixem as
crianças se masturbarem à vontade!". Os palavrões não vou nem
transcrever, pois palavrão sempre me causa asco, mas garanto que
estão lá quase todos que vocês imaginarem, inclusive em uma
passagem o livro fala que o uso desses palavrões já está
incorporado à linguagem do dia-a-dia e portanto não tem problema
usá-los. Também para o tema proposto o livro é totalmente
inadequado, pois pouco fala da prevenção, atendo-se mais aos
anseios e conflitos pessoais da autora em relação a como ela era
tratada, principalmente pelos médicos.
Eu entrei no site da tal escola, que um dos pais me enviou em
seu e-mail e achei estranho, pois ela diz passar uma educação
cristã às crianças e não filtra um absurdo como esse livro, que
seria inadequado para qualquer cristão, quanto mais para os que têm
apenas 12 anos de idade. Por fala em cristão veja essa passagem do
livro onde a autora revela o que pensa de Deus:
"- Você acredita em Deus? - era o Lucas me fazendo uma
pergunta.
- Às vezes - respondi.
Ele fez uma cara de reprovação. Era uma daquelas pessoas que têm
uma fé inabalável. Muitas vezes eu o invejava nisso. Continuei,
irônica:
- Acho que Ele é um gordo, seminu, sentado lá em cima, com as
pernas cruzadas, comendo pipoca, olhando aqui pra baixo e dando
risada da cara da gente.
- Minha nossa!
- Tô só brincando - eu disse. Mas, na verdade, não estava. Muitas
vezes acho isso mesmo. Noutras, nem sequer acredito que Ele existe.
Acho que foi tudo uma invenção do homem devido à sua fraqueza e
incapacidade de admitir que é o único responsável por sua própria
vida. E o único a ocupar o espaço, muitas vezes vazio, de si
mesmo."
Antes de escrever este post eu primeiro verifiquei o livro
para confirmar o que me foi relatado nos e-mails e posso garantir
que é bem mais absurdo do que eu descrevi, até mesmo porque muitas
passagens e palavrões encontrados nesse livro eu jamais escreveria
em meu blog. Também só escrevi este post porque recebi vários
e-mails sobre o assunto e em um deles o pai de um aluno disse ter
argumentado com a escola e eles não lhe deram atenção ainda
desmerecendo sua capacidade, pois disseram que ele não estava
entendendo a proposta da escola. Mas que proposta é essa? Se estão
falando sobre prevenção de DST a escolha do livro foi muito
infeliz, pois mesmo que não tivesse nenhuma coisa obscena ou
inadequada para crianças de 12 anos, o material ainda assim seria
muito ruim em relação ao tema proposto.
Creio que os pais dos alunos dessa escola deveriam se
manifestar indo reclamar com a direção, pois com isso podem evitar
que tais escolhas infelizes não se repitam. Que os educadores se
utilizem de bom senso e tomem mais cuidado ao escolher livros para
as crianças. Não se atenham apenas à "faixa etária indicada" pelo
MEC.
Agora tem mais uma coisa super importante (ainda mais depois do
caso desse livro): "assuntos relacionados à sexualidade,
principalmente em se tratando de crianças de baixa idade, são
responsabilidade dos pais e ninguém tem o direito de se impor a
estes". A escola não pode sob nenhum pretexto abordar o tema
sexualidade sem que os pais dos alunos tenham concordado com o
método ou com o material a ser utilizado. Primeiro é preciso
informar aos pais o que se pretende fazer e só dar prosseguimento
com a autorização dos mesmos. Não pode ser obrigatório e nem fazer
parte de provas ou trabalhos que venham a valer nota, pois se algum
dos pais não concordou, então o mesmo pode impedir que seu filho
participe da atividade (palestra, trabalho, prova, etc.) e esta
criança não pode ser prejudicada perdendo nota (ou para não perder,
fazer algo que seus pais não concordam).
Resolvi indicar este video para que vejam o que está se tornando
comum a nossa crianças por causa de livros como esse indicado com
total falta de bom senso para certas faixas etárias:
http://www.youtube.com/watch?v=ZlQbPM0p9no
Um dos pais me enviou ente link que também aborda o mesmo caso, não
deixe de ver:
http://www.ipco.org.br/home/noticias/8056/
http://www.ipco.org.br/home/noticias/8056/comment-page-1#comments
Sobre essa mesma escola um dos pais reclamou de que eles estavam
vinculando notas a serem acrescentadas à média bimestral a
atividades que para serem realizadas dependiam de pagamento ou
aquisição de algo da escola. Quem não pagou ou não adquiriu o
produto (camiseta) não pôde participar e portanto não ganhou nota.
O detalhe é que as atividades não tinham nada relacionado com as
matérias a que renderam nota. Vou me informar melhor a respeito
disso e me pronunciarei em post futuro. Mas a principio isto está
parecendo algo muito grave, não importando o valor financeiro
envolvido, é indecente.
Para os pais que se sentirem lesados em seu direito de escolher o
que é ou não adequado para seus filhos, segundo sua formação moral
ou religiosa, resta exigir retratação da escola, e se esta insistir
com autoritarismo então que os pais busquem seus direitos na
justiça, reivindicando até mesmo indenizações por danos morais,
pois assim, quem sabe, passarão a respeitar a autoridade máxima na
educação de uma criança, que são os pais.
